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O que significa válvula PSV? Entenda como funciona

Numa planta com centenas de instrumentos em rede, existe um dispositivo que não aparece em tela nenhuma. Ele fica no alto do vaso ou da caldeira, ocupa pouco espaço, não tem cabo de sinal e não pede confirmação a ninguém. Quando todo o resto falha, ele é o que sobra.


Mas, afinal, o que é e o que significa válvula PSV? Na indústria, a sigla identifica a válvula de segurança responsável por proteger equipamentos pressurizados contra sobrepressão. Quase todo material sobre ela começa pela lista de peças: bocal, disco, mola, castelo. Este começa por outro lugar, porque a norma brasileira que a governa também começa por outro lugar.


A NR-13, Norma Regulamentadora nº 13 do Ministério do Trabalho, não define a válvula de segurança pelo que ela tem. Define pelo que ela não depende. Parece detalhe de redação e não é: essa escolha determina o que precisa ser verdade para a peça cumprir a função e, por consequência, tudo o que a norma exige dela depois.


É por aí que vamos: o que é válvula PSV, como ela funciona, o vocabulário da plaqueta e o que a NR-13 cobra em caldeiras e vasos de pressão.


O que é e o que significa válvula PSV?


Vale começar pela definição que tem efeito jurídico no Brasil. Ela é curta, e é mais interessante do que a lista de peças que costuma abrir o assunto.


O glossário da NR-13 define dispositivos de segurança de uma forma que não cita nenhuma peça.



Repare no que a definição não faz. Não cita mola, não cita disco, não cita bocal. Ela nomeia uma função, proteger contra sobrepressão, e duas independências: do operador e de fonte externa de energia. Um dispositivo que precise de alguém apertando um botão não é dispositivo de segurança para a NR-13. Um que precise de energia elétrica ou de ar de instrumento, também não.


A engenharia chega ao mesmo lugar por outro caminho. O Crosby Pressure Relief Valve Engineering Handbook, documento técnico TP-V300, de maio de 1997, registra que a única fonte de energia da válvula de alívio de pressão é o próprio fluido do processo. Fabricante e norma dizem a mesma coisa com palavras diferentes: a proteção precisa funcionar exatamente quando nada mais está funcionando, inclusive a energia.



A prova de que a definição é mesmo funcional está na lista que o próprio verbete traz em seguida. Cabem nela a válvula de segurança, a válvula de alívio, a válvula de segurança e alívio, a válvula piloto operada, o disco de ruptura e o quebra-vácuo.


São construções muito diferentes, algumas nem sequer voltam a fechar depois de atuar, e ainda assim todas entram, porque todas respeitam as duas independências.


O ruído de vocabulário com o termo doméstico


Existe uma confusão de nome que atrapalha quem procura o assunto pela primeira vez, e ela merece um parágrafo antes de seguir.


Válvula de segurança também é como se chama, popularmente, o pino de a panela de pressão da cozinha.


O princípio é parente, porque nos dois casos a pressão interna vence uma resistência mecânica e escapa. O contexto não é: na indústria o dispositivo protege equipamento enquadrado numa norma regulamentadora, tem pressão de ajuste definida em projeto, certificado de teste e prazo de inspeção.


Quando este artigo fala em válvula de segurança, é desse dispositivo que se trata.


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Como funciona a válvula de segurança: a mola contra a pressão


A função só se cumpre porque existe um equilíbrio de forças que se rompe num ponto escolhido em projeto. Vale acompanhar esse equilíbrio de perto, porque é dele que sai todo o vocabulário da próxima seção.


A construção mais comum é a de mola direta, e ela tem quatro partes. O bocal é o caminho de entrada do fluido e contém a parte fixa da vedação. O disco é a parte móvel que fecha contra o bocal. A mola empurra o disco contra o bocal. O corpo e o castelo contêm o conjunto. A carga da mola é ajustável, e é ela que define em que pressão a válvula abre.


Com o equipamento em operação normal, a força da mola sobre o disco é maior que a força que a pressão faz por baixo dele. Quando a pressão do processo sobe e a força resultante iguala a força da mola, o disco sai do bocal e o fluido começa a passar.


É útil ter em mente o que a engenharia chama de pressão para acompanhar esse raciocínio: a força é a pressão multiplicada pela área sobre a qual ela age, e é a mudança dessa área que explica o resto do mecanismo.



Por que ela não abre devagar


Se o mecanismo parasse no equilíbrio simples, a válvula seria uma protetora ruim, e o motivo é contraintuitivo.


Assim que o disco levanta, a mola comprime mais. Mola mais comprimida empurra mais forte. Pela física do conjunto, a pressão do equipamento precisaria continuar subindo para o disco continuar subindo. A válvula abriria pouco, aliviaria pouco e a pressão seguiria crescendo justamente durante o evento que ela deveria conter.


O projeto resolve isso com uma câmara anular logo depois da sede, chamada câmara de alívio. Assim que o disco desencosta, o fluido entra nessa câmara e passa a agir sobre uma área maior do disco. O ganho de força supera o ganho da mola, e a abertura deixa de ser gradual: vira um salto. A reversão do sentido do escoamento dentro do corpo acrescenta empuxo ao movimento.


É esse salto que a indústria chama de pop. Não é vício de fabricação nem sinal de válvula mal ajustada.



Por que ela não fecha na mesma pressão em que abriu


A mesma câmara que garante a abertura rápida cria uma segunda consequência, e essa tem nome próprio no certificado de teste.


Depois de aberta, o fluido continua agindo sobre a área maior do disco. Para o disco voltar a encostar no bocal, a pressão precisa cair a um valor abaixo daquele em que a válvula abriu. A diferença entre a pressão de abertura e a pressão de fechamento é o diferencial de alívio, também chamado de blowdown, e é expressa em porcentagem da pressão de ajuste.


Existe aqui um compromisso de projeto que o próprio fabricante declara: quanto mais a câmara favorece o levantamento, maior fica o diferencial de alívio; quanto mais curto o diferencial, menor o auxílio ao levantamento. Muitas válvulas trazem um anel de regulagem que altera a geometria dessa câmara justamente para acomodar o sistema em que ela vai trabalhar.


Válvula de segurança de mola direta montada sobre o bocal de um vaso de pressão
A carga da mola, ajustável dentro do castelo, é o que define em que pressão a válvula de segurança abre.

Pressão de ajuste, sobrepressão e diferencial de alívio: o que cada termo significa?


Pressão de ajuste é a pressão em que a válvula de segurança é regulada para abrir. Sobrepressão é o acréscimo acima dela de que a válvula precisa para atingir a vazão nominal. Diferencial de alívio é a queda abaixo da pressão de ajuste necessária para a válvula voltar a fechar. Os três aparecem expressos em porcentagem da pressão de ajuste.


A régua começa antes desses três, na PMTA. A NR-13 define Pressão Máxima de Trabalho Admissível como o maior valor de pressão a que um equipamento pode ser submetido continuamente, de acordo com o código de construção, a resistência dos materiais, as dimensões e os parâmetros operacionais. É o teto do equipamento, e todo o resto se posiciona em relação a ele.



Do lado de baixo da régua está um número que explica boa parte dos vazamentos crônicos de sede. O manual do fabricante recomenda que a pressão de operação do sistema não passe de 90% da pressão de ajuste, para que a vedação se mantenha estanque ao longo do tempo.


Operar colado no ajuste é operar com a válvula chiando, e vazamento de sede desgasta a superfície de vedação até a válvula passar a abrir antes da hora.


Do lado de cima, quem limita é o código de construção. A ASME Seção VIII Divisão 1, na edição de 2017, parágrafo UG-125(c), determina que o dispositivo impeça a pressão de subir mais que 10% ou 3 psi (20 kPa), o que for maior, acima da máxima pressão de trabalho admissível. Com múltiplos dispositivos ajustados conforme o próprio código, o limite passa a 16% ou 4 psi (30 kPa).


Vale registrar quem responde por essa conta. O mesmo parágrafo UG-125, na alínea (a), atribui ao usuário do equipamento, ou ao agente que ele designar, a responsabilidade de identificar todos os cenários possíveis de sobrepressão e o método de proteção adotado para cada um.


A válvula não protege contra sobrepressão em geral: ela protege contra o cenário que alguém dimensionou.


O vocabulário da plaqueta e do certificado

Termo

O que é

Por que importa

PMTA

Maior valor de pressão a que o equipamento pode ser submetido continuamente, conforme o código de construção, os materiais, as dimensões e os parâmetros operacionais.

É o teto do equipamento. Tudo o mais se posiciona em relação a ela.

Pressão de ajuste

A pressão de entrada em que a válvula é regulada para abrir.

A NR-13 exige que seja igual ou inferior à PMTA.

Sobrepressão

O acréscimo de pressão acima do ajuste, expresso em porcentagem do ajuste.

É a margem que a válvula precisa para chegar ao levantamento total.

Pressão de alívio

A pressão de ajuste somada à sobrepressão.

É a maior pressão que o equipamento vê durante o evento.

Diferencial de alívio (blowdown)

A diferença entre a pressão em que a válvula abre e a pressão em que ela volta a fechar.

Explica por que a válvula continua aberta depois que a pressão já caiu.

Pressão de operação

A pressão manométrica esperada durante a operação normal.

O fabricante recomenda não passar de 90% do ajuste, para preservar a vedação.


Esses valores só existem porque alguém consegue lê-los. Não por acaso, a NR-13 exige no mesmo subitem que trata da válvula, no vaso de pressão, um instrumento que indique a pressão de operação, instalado no equipamento ou no sistema que o contenha.


Se a leitura da pressão não for confiável, a régua inteira perde o sentido, e por isso vale entender como funciona o manômetro.



O que a NR-13 exige da válvula de segurança


A norma trata o dispositivo em três frentes, e elas se encaixam na mesma lógica da definição: a válvula precisa existir e estar ajustada, não pode ser anulada e precisa ser verificada num prazo que não é dela, e sim do equipamento que ela protege.


Na primeira frente, a exigência é de existência e de ajuste. Para caldeiras, a NR-13 exige no subitem 13.4.1.2, alínea “a”, válvula de segurança com pressão de abertura ajustada em valor igual ou inferior à PMTA. Para vasos de pressão, o subitem 13.5.1.2, alínea “a”, admite válvula de segurança ou outro dispositivo de segurança, instalado diretamente no vaso ou no sistema que o inclui, com o mesmo limite de ajuste.


Os dois subitens mandam respeitar o que o código de construção diz sobre aberturas escalonadas e tolerâncias de pressão de ajuste. Para entender por que a norma organiza as coisas assim, ajuda saber para que serve a NR-13.


Existe uma porta de saída, e ela é estreita. O subitem 13.5.1.2.1 permite que sistemas intrinsecamente protegidos, concebidos e mantidos conforme o respectivo código de construção, prescindam do dispositivo, mediante parecer técnico emitido por profissional legalmente habilitado. A dispensa não é do gestor: é de um parecer assinado.


Na segunda frente, a norma protege a válvula de nós mesmos. O subitem 13.5.1.2, alínea “c”, exige medidas para evitar o bloqueio inadvertido do dispositivo de segurança, incluindo controles administrativos ou, quando eles não existirem, o Dispositivo Contra Bloqueio Inadvertido associado a sinalização de advertência.



Na terceira frente está a verificação, e é aqui que a norma é mais específica do que se costuma supor.


O subitem 13.3.6 determina que instrumentos e sistemas de controle e segurança sejam mantidos em condições adequadas de uso e devidamente inspecionados e testados ou, quando aplicável, calibrados.


Os subitens 13.4.4.7, para caldeiras, e 13.5.4.9, para vasos de pressão, vão adiante: exigem que as válvulas de segurança sejam desmontadas, inspecionadas e testadas em prazo adequado à sua manutenção, porém não superior ao previsto para a inspeção de segurança periódica do equipamento que elas protegem.



Há ainda três regras que raramente aparecem em resumos do assunto. O subitem 13.4.4.7.1 admite, em situação excepcional justificada por profissional legalmente habilitado, que a válvula seja testada em campo.


O subitem 13.4.4.8 exige que as válvulas de caldeiras de categoria B sejam acionadas manualmente pela alavanca pelo menos uma vez por mês, quando a caldeira opera sem tratamento de água, ou conforme as prescrições do fabricante, quando opera com água tratada.


E o subitem 13.4.4.9 permite, a critério técnico do profissional habilitado, o teste de acumulação. Se você quiser ver como esses prazos se encaixam nos demais, vale a leitura sobre os prazos de inspeção da NR-13.


O que a NR-13 exige da válvula de segurança

Frente

Onde está na NR-13

O que significa na prática

Existir e estar ajustada

NR-13, subitens 13.4.1.2 “a” (caldeiras) e 13.5.1.2 “a” (vasos)

Abertura ajustada em valor igual ou inferior à PMTA.

Não poder ser anulada

NR-13, subitem 13.5.1.2 “c”

Controle administrativo ou dispositivo contra bloqueio inadvertido, com sinalização.

Ser mantida e verificada

NR-13, subitem 13.3.6

Em condições adequadas de uso, inspecionada e testada ou calibrada.

Ser desmontada e testada

NR-13, subitens 13.4.4.7 (caldeiras) e 13.5.4.9 (vasos)

Em prazo adequado à manutenção e nunca superior ao do equipamento protegido.

Ter o teste registrado

NR-13, dados obrigatórios do relatório de inspeção

O relatório aponta o número do certificado de inspeção e teste da válvula.


Fecha a lista um detalhe de registro que diz muito sobre a lógica da norma. Entre os dados obrigatórios do relatório de inspeção de segurança está o número do certificado de inspeção e teste da válvula: o relatório do equipamento não se fecha sem apontar para o documento dela.


Por que a última barreira precisa de histórico


Tudo o que veio até aqui descreve obrigações. Falta a pergunta que a definição da norma deixou pendurada lá no começo, e é ela que dá sentido a todo o resto.


A independência que faz a válvula funcionar é a mesma que a torna invisível. Nenhum operador a aciona, nenhum controlador registra o estado dela e nenhum alarme avisa que ela envelheceu. Por fora, uma válvula íntegra e uma válvula travada por incrustação são idênticas: as duas estão fechadas, caladas e aparentemente em ordem.


É a situação do extintor de incêndio pendurado na parede. Ele não tem tomada, não tem sinal e não reclama de nada. Você nunca sabe se ele vai funcionar; você sabe quando ele foi verificado pela última vez, por quem e com que resultado. Toda a confiança que se deposita nele vem daí, e não do fato de ele estar lá.


A própria NR-13 aponta essa direção justamente no ponto em que afrouxa a regra. No subitem 13.4.4.7.1, ao admitir o teste em campo em situação excepcional, ela pede frequência compatível com o histórico operacional destes dispositivos. A norma escolheu o histórico como moeda: onde ela abre mão do prazo padrão, é o passado registrado do dispositivo que passa a sustentar a decisão.


Essa é a pergunta que abre a série a que este artigo pertence, e ela se desdobra em duas outras já publicadas: você tem prova de que ela vai abrir, e o que o certificado de calibração garante, de fato.


Como esse histórico se constrói, o que ele precisa conter e o que fazer quando ele simplesmente não existe são assunto das próximas peças. Por ora vale reter a definição pela qual tudo começa: a válvula de segurança é a única proteção da planta que não depende de ninguém, e é por isso mesmo a única que ninguém observa.


Válvula de segurança desmontada sobre bancada de teste, com bocal, disco e mola separados
A NR-13 não pede apenas o teste de abertura: pede que a válvula de segurança seja desmontada, inspecionada e testada.

Você ainda tem dúvida sobre a válvula de segurança do seu equipamento?


Estas são as perguntas que mais aparecem quando o assunto entra numa reunião de manutenção pela primeira vez. As respostas são curtas de propósito.


O que é uma válvula de segurança?

A válvula de segurança é o dispositivo que protege um equipamento pressurizado contra sobrepressão. A NR-13 a define pela função e por duas independências: ela atua sem ação do operador e sem fonte externa de energia. A única energia que a aciona é a pressão do próprio fluido do processo.

A diferença está no comportamento de abertura. A válvula de segurança abre em salto, com o chamado pop, e é usada normalmente em vapor e ar. A válvula de alívio abre de forma gradual, proporcional ao aumento de pressão, e é usada principalmente em líquido. Existe ainda a válvula de segurança e alívio, que serve aos dois casos.

É a pressão de entrada em que a válvula é regulada para abrir. A NR-13 exige que ela seja igual ou inferior à Pressão Máxima de Trabalho Admissível do equipamento, respeitados os requisitos do código de construção quanto a aberturas escalonadas e tolerâncias de ajuste.

Sobrepressão é o acréscimo de pressão acima do ajuste de que a válvula precisa para chegar à vazão nominal. Diferencial de alívio, ou blowdown, é a queda abaixo do ajuste necessária para a válvula voltar a fechar. Os dois são expressos em porcentagem da pressão de ajuste.

A NR-13 não fixa um prazo próprio para a válvula. Ela exige, nos subitens 13.4.4.7 e 13.5.4.9, que a válvula seja desmontada, inspecionada e testada em prazo adequado à sua manutenção e nunca superior ao da inspeção de segurança periódica do equipamento que ela protege.


A última barreira precisa ser a mais conhecida


A válvula de segurança ocupa uma posição singular na proteção de equipamentos pressurizados. Ela não depende do operador, não depende do sistema de controle e não precisa de energia externa para atuar. Quando a pressão ultrapassa o limite previsto, é o próprio processo que fornece a energia para que ela abra.


Essa independência é justamente o que faz dela uma barreira tão importante e, ao mesmo tempo, tão fácil de esquecer. Enquanto tudo funciona normalmente, a válvula permanece fechada, silenciosa e fora das telas da operação. Não existe sinal contínuo dizendo se a mola mantém a condição esperada, se a sede continua íntegra ou se o conjunto vai responder corretamente quando for exigido.


Por isso, conhecer o funcionamento da PSV é apenas o começo. Pressão de ajuste, sobrepressão, diferencial de alívio, PMTA, inspeção e teste são partes de uma mesma lógica: garantir que o dispositivo continue capaz de cumprir a função para a qual foi instalado.


A NR-13 estabelece as obrigações mínimas. O histórico de inspeções e testes é o que transforma essas obrigações em evidência ao longo da vida do equipamento.


No fim, uma válvula de segurança não merece confiança apenas porque está instalada. Ela merece confiança quando existe registro suficiente para mostrar que, quando todas as outras barreiras falharem, ela ainda estará pronta para atuar.


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