top of page

Método HRN: o que é e por que ele é usado?

Você sabe o que significa a sigla HRN? Se você já recebeu uma apreciação de risco de máquinas, provavelmente viu uma coluna com números que terminam num valor e numa cor. Aquele número quase sempre sai do tal "método HRN", sigla para Hazard Rating Number, é quem decide o que a sua planta vai adequar primeiro e o que vai esperar.


O que quase nunca acompanha esse resultado é a explicação de como aquele número foi construído e por que justamente o HRN foi escolhido para estimar o risco.


Para responder a essas perguntas, fomos até a origem do método e encontramos detalhes que ajudam a entender não apenas como ele funciona, mas também por que seu uso se tornou tão difundido. Continue a leitura e descubra o que está por trás dos números do HRN!


O que é o método HRN?


Antes de olhar para a fórmula, é importante entender o que o HRN se propõe a fazer. O método funciona como uma ferramenta de estimativa de risco, transformando determinados aspectos de uma situação perigosa em valores numéricos que, combinados, resultam em um índice.


Esse número ajuda a estabelecer uma referência para análise e priorização dos riscos, mas não representa, sozinho, toda a apreciação de riscos.



Na publicação original, o cálculo é apresentado como o produto de quatro fatores: HRN = PE × FE × MPL × NP. Cada um deles recebe um valor associado a descrições previamente definidas em uma escala e, ao final, os quatro valores são multiplicados para chegar ao resultado.


Os quatro parâmetros na publicação original de 1990

Sigla

Nome original

O que mede

Valores do exemplo publicado

PE

Probability of Exposure

Probabilidade de exposição ao perigo

0 impossível · 1 improvável · 2 possível · 5 chance igual · 8 provável · 10 esperado · 15 certo

FE

Frequency of Exposure

Frequência da exposição

0,1 raramente · 0,2 anual · 1 mensal · 1,5 semanal · 2,5 diária · 4 de hora em hora · 5 constante

MPL

Maximum Probable Loss

Perda provável máxima

0,1 arranhão · 0,5 laceração · 1 fratura menor · 2 fratura maior · 4 perda de um membro · 8 perda de dois membros · 15 fatalidade

NP

Numbers of Persons at risk

Número de pessoas expostas

1 para 1 a 2 pessoas · 2 para 3 a 7 · 4 para 8 a 15 · 8 para 16 a 50 · 12 para mais de 50

Valores reproduzidos do exemplo publicado por Steel em 1990. O próprio autor registra que são ilustração, e não escala oficial.


Há ainda um detalhe importante para compreender as diferentes versões do método encontradas atualmente. Na adaptação que se difundiu no Brasil, dois dos quatro parâmetros tiveram suas siglas alteradas:


  • PE passou a aparecer como LO, de Likelihood of Occurrence

  • MPL passou a ser chamado de DPH, de Degree of Possible Harm


Os conceitos são próximos, mas quem procurar essas siglas brasileiras na publicação original de 1990 não irá encontrá-las.


O que se faz com o número que sai


O resultado sozinho não significa nada. Ele só ganha sentido quando cai numa faixa, e é a faixa que carrega a decisão.


Repare no que a tabela a seguir entrega: um prazo. Essa é a utilidade prática do método num parque com centenas de máquinas, onde tudo parece urgente e o orçamento é um só. O HRN transforma uma lista de perigos numa fila.


Faixas de resultado e prazo de ação, como publicados em 1990

Resultado

Nível de risco

Prazo de ação sugerido

0 a 1

Aceitável

Aceitar o risco ou considerar ação

1 a 5

Muito baixo

Ação em até um ano

5 a 10

Baixo

Ação em até três meses

10 a 50

Significativo

Ação em até um mês

50 a 100

Alto

Ação em até uma semana

100 a 500

Muito alto

Ação em até um dia

500 a 1000

Extremo

Ação imediata

acima de 1000

Inaceitável

Parar a atividade

Tabela 5 do artigo original. Os prazos são os do autor: cada organização que adota o método define os seus, e precisa registrar o critério.


Origem do método HRN


A origem do método HRN é mais modesta do que a difusão do método sugere, e conhecê-la muda a forma de usá-lo.


O HRN foi publicado por Chris Steel em um artigo de duas páginas chamado "Risk estimation", na revista britânica The Safety and Health Practitioner, edição de junho de 1990, páginas 20 e 21.


Não é uma norma, não é um livro e não passou por comitê: é um artigo técnico de revista de classe, assinado por um profissional de segurança.



Fac-símile do artigo de Chris Steel de 1990 que apresentou o método HRN
Reprodução da página 20 da The Safety and Health Practitioner de junho de 1990.

O artigo apresenta antes uma técnica mais simples, de dois fatores, em que se multiplica probabilidade por severidade e se obtém um número de 1 a 81.


O HRN entra logo em seguida como alternativa, e o que ele acrescenta são exatamente os dois fatores que a matriz de dois eixos não tem.



Por que o método HRN é usado, se nenhuma norma o exige?


Aqui está a pergunta que motivou este artigo, e a resposta exige uma checagem que qualquer pessoa pode repetir.


A NR-12 exige a apreciação de riscos. Ela cita a expressão 12 vezes ao longo do texto e condiciona várias decisões técnicas ao que a apreciação indicar. O que ela não faz, em nenhum momento, é dizer como executá-la.


Quantas vezes cada termo aparece nos textos oficiais

Termo procurado

Texto da NR-12

Manual de Aplicação

apreciação de riscos

12 vezes

30 vezes

análise de risco

10 vezes

não contabilizado

HRN ou Hazard Rating Number

nenhuma

nenhuma

FMEA, HAZOP ou William Fine

nenhuma

nenhuma

ABNT NBR 14153

29 vezes

não contabilizado

Busca literal no texto da NR-12 na consolidação de 2024, alterada pela Portaria MTE nº 224, de 26 de fevereiro de 2024, e no Manual de Aplicação da NR-12 publicado pelo Ministério do Trabalho. Consulta em agosto de 2026.



Isso não torna o método HRN inadequado. Torna a escolha dele uma decisão de engenharia, e decisão de engenharia se justifica.


Vale dizer também que essa constatação não é nossa em primeira mão: ela já foi levantada por outros profissionais no Brasil, inclusive em artigo hospedado no portal de um conselho regional de engenharia, e nós a reconferimos no texto vigente antes de publicar.


Se a origem do costume não está na norma, ela está na prática. O método se espalhou porque é barato de aplicar, roda em campo com quatro escolhas por perigo, escala para centenas de máquinas e produz uma fila que o gestor consegue defender numa reunião de orçamento.


Em pouco tempo virou exigência de escopo em contratação, e hoje há empresas que desqualificam proposta que não o apresente.


A frase do autor que quase ninguém leu


Quando fomos ao artigo de 1990 para conferir as tabelas, encontramos uma instrução do próprio Steel que muda a forma correta de aplicar o método.


Trecho do artigo original em que o autor do HRN determina que cada organização escolha suas próprias tabelas de valores
Ampliação do parágrafo em que Chris Steel afirma que cada organização deve selecionar suas próprias tabelas de valores e frases.

O texto diz, em tradução direta, que valores numéricos são atribuídos a frases descritivas, que tais tabelas de valores e frases são dadas abaixo, ainda que cada organização deva selecionar tabelas de valores e frases que atendam às suas próprias necessidades. E o parágrafo seguinte fecha: o exemplo que vem a seguir serve apenas para ilustrar o método.



A consequência prática é desconfortável e vale ser dita sem rodeio. Copiar uma tabela da internet e aplicá-la sem justificar a escolha não é aplicar o método pela metade: é pular justamente a etapa que o autor delegou a quem aplica.


Duas consultorias podem avaliar o mesmo perigo, na mesma máquina, com tabelas diferentes, e chegar a faixas de ação diferentes. As duas vão chamar o resultado de HRN.



Onde o método é frágil


Um artigo definicional que só elogia o método não ajuda quem precisa decidir. Estas são as limitações que consideramos relevantes, e a primeira é de natureza, não de uso.


O produto de quatro escalas ordinais não é uma grandeza física. Dizer que um perigo deu 48 e outro deu 24 não significa que o primeiro seja duas vezes pior: significa que ele vem antes na fila.


O número serve para ordenar, e tratá-lo como medida leva a comparações que ele não sustenta.


A segunda é de sensibilidade. Como os fatores se multiplicam, mudar um único degrau em um parâmetro pode empurrar o resultado para outra faixa de prazo. E o julgamento do analista entra quatro vezes na conta, não uma.


A terceira é de escopo, e é a crítica mais forte que o método recebe no Brasil. O HRN prioriza, e priorizar não é resolver. O documento que devolve ao cliente apenas uma fila de perigos coloridos entrega a parte que a equipe interna, que convive com a planta, muitas vezes já sabia. O que falta é a solução técnica, e essa não sai de nenhuma multiplicação.



O que torna a escolha do método defensável


Juntando as duas ausências, a da norma e a do autor, sobra uma conclusão que orienta a prática.



Na prática, um documento que se sustenta responde a quatro perguntas antes de mostrar qualquer número:


  1. Qual escala foi adotada?

  2. Por que aquela e não outra?

  3. Qual cenário de acidente foi descrito antes de o valor ser escolhido?

  4. Onde isso ficou registrado?


É trabalho a mais, e é ele que separa um número defensável de um número plausível.


É essa a razão de mantermos, aqui na Engetex, um dicionário classificatório único e travado para o método, com a escala fixada e o critério registrado, em vez de escolher a tabela caso a caso.


Não é preciosismo: é a única forma de dois analistas nossos chegarem ao mesmo resultado para o mesmo perigo, e de o cliente conseguir auditar o que recebeu.


Ainda tem dúvida sobre o método HRN?


As quatro perguntas abaixo são as que mais chegam quando o assunto aparece em auditoria ou em reunião de contrato, e todas têm resposta verificável.


O método HRN é obrigatório pela NR-12?

Não. A expressão não aparece no texto da NR-12 nem no Manual de Aplicação publicado pelo Ministério do Trabalho. A norma exige a apreciação de riscos e não nomeia método algum para executá-la. O que torna o HRN quase universal no Brasil é a prática de mercado e a exigência de escopo em contratação, não uma obrigação normativa.

Não existe. O autor do método publicou tabelas como exemplo e escreveu que cada organização deve selecionar valores e frases que atendam às suas próprias necessidades. Por isso circulam escalas diferentes, e por isso a escala usada precisa estar declarada no documento.

Não. Ele é uma etapa dentro dela, a da estimativa. A apreciação inclui determinar os limites da máquina, identificar perigos, estimar e avaliar o risco, e depois reduzir o risco pela hierarquia de medidas. O HRN atua num pedaço desse caminho.

Não necessariamente. Se as duas avaliações usaram escalas diferentes, os números não são comparáveis, e nenhuma das duas está errada por isso. O problema aparece quando nenhuma das duas declara a escala que usou, porque aí não há como saber.


Método HRN: ferramenta de apoio, não regra absoluta


O HRN pode ser uma ferramenta útil para organizar e tornar mais objetiva a estimativa de riscos em máquinas e equipamentos. Mas sua aplicação precisa partir de uma premissa importante: o método não é uma exigência da NR-12 e seu resultado numérico, isoladamente, não representa toda a apreciação de riscos.


Mais importante do que chegar a determinado número é compreender os perigos existentes, documentar os critérios utilizados e definir medidas de redução de risco coerentes com cada situação.


Quando o HRN é utilizado, portanto, a escala adotada, os parâmetros considerados e a interpretação dos resultados precisam estar claros e tecnicamente fundamentados.


No fim, conformidade com a NR-12 não significa simplesmente “ter um HRN”. Significa demonstrar que os riscos foram identificados, avaliados e tratados de forma consistente, rastreável e adequada à realidade da máquina.






Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação

Inscreva-se para receber nossos informativos

Obrigado por se inscrever

Logomarca horizontal engetex

Orgulhosamente criado por Engetex.

bottom of page