Método HRN: o que é e por que ele é usado?
- Engetex Inspeções

- há 16 horas
- 8 min de leitura
Você sabe o que significa a sigla HRN? Se você já recebeu uma apreciação de risco de máquinas, provavelmente viu uma coluna com números que terminam num valor e numa cor. Aquele número quase sempre sai do tal "método HRN", sigla para Hazard Rating Number, é quem decide o que a sua planta vai adequar primeiro e o que vai esperar.
O que quase nunca acompanha esse resultado é a explicação de como aquele número foi construído e por que justamente o HRN foi escolhido para estimar o risco.
Para responder a essas perguntas, fomos até a origem do método e encontramos detalhes que ajudam a entender não apenas como ele funciona, mas também por que seu uso se tornou tão difundido. Continue a leitura e descubra o que está por trás dos números do HRN!
O que é o método HRN?
Antes de olhar para a fórmula, é importante entender o que o HRN se propõe a fazer. O método funciona como uma ferramenta de estimativa de risco, transformando determinados aspectos de uma situação perigosa em valores numéricos que, combinados, resultam em um índice.
Esse número ajuda a estabelecer uma referência para análise e priorização dos riscos, mas não representa, sozinho, toda a apreciação de riscos.
Na publicação original, o cálculo é apresentado como o produto de quatro fatores: HRN = PE × FE × MPL × NP. Cada um deles recebe um valor associado a descrições previamente definidas em uma escala e, ao final, os quatro valores são multiplicados para chegar ao resultado.
Os quatro parâmetros na publicação original de 1990 | |||
Sigla | Nome original | O que mede | Valores do exemplo publicado |
PE | Probability of Exposure | Probabilidade de exposição ao perigo | 0 impossível · 1 improvável · 2 possível · 5 chance igual · 8 provável · 10 esperado · 15 certo |
FE | Frequency of Exposure | Frequência da exposição | 0,1 raramente · 0,2 anual · 1 mensal · 1,5 semanal · 2,5 diária · 4 de hora em hora · 5 constante |
MPL | Maximum Probable Loss | Perda provável máxima | 0,1 arranhão · 0,5 laceração · 1 fratura menor · 2 fratura maior · 4 perda de um membro · 8 perda de dois membros · 15 fatalidade |
NP | Numbers of Persons at risk | Número de pessoas expostas | 1 para 1 a 2 pessoas · 2 para 3 a 7 · 4 para 8 a 15 · 8 para 16 a 50 · 12 para mais de 50 |
Valores reproduzidos do exemplo publicado por Steel em 1990. O próprio autor registra que são ilustração, e não escala oficial. | |||
Há ainda um detalhe importante para compreender as diferentes versões do método encontradas atualmente. Na adaptação que se difundiu no Brasil, dois dos quatro parâmetros tiveram suas siglas alteradas:
PE passou a aparecer como LO, de Likelihood of Occurrence
MPL passou a ser chamado de DPH, de Degree of Possible Harm
Os conceitos são próximos, mas quem procurar essas siglas brasileiras na publicação original de 1990 não irá encontrá-las.
O que se faz com o número que sai
O resultado sozinho não significa nada. Ele só ganha sentido quando cai numa faixa, e é a faixa que carrega a decisão.
Repare no que a tabela a seguir entrega: um prazo. Essa é a utilidade prática do método num parque com centenas de máquinas, onde tudo parece urgente e o orçamento é um só. O HRN transforma uma lista de perigos numa fila.
Faixas de resultado e prazo de ação, como publicados em 1990 | ||
Resultado | Nível de risco | Prazo de ação sugerido |
0 a 1 | Aceitável | Aceitar o risco ou considerar ação |
1 a 5 | Muito baixo | Ação em até um ano |
5 a 10 | Baixo | Ação em até três meses |
10 a 50 | Significativo | Ação em até um mês |
50 a 100 | Alto | Ação em até uma semana |
100 a 500 | Muito alto | Ação em até um dia |
500 a 1000 | Extremo | Ação imediata |
acima de 1000 | Inaceitável | Parar a atividade |
Tabela 5 do artigo original. Os prazos são os do autor: cada organização que adota o método define os seus, e precisa registrar o critério. | ||
Origem do método HRN
A origem do método HRN é mais modesta do que a difusão do método sugere, e conhecê-la muda a forma de usá-lo.
O HRN foi publicado por Chris Steel em um artigo de duas páginas chamado "Risk estimation", na revista britânica The Safety and Health Practitioner, edição de junho de 1990, páginas 20 e 21.
Não é uma norma, não é um livro e não passou por comitê: é um artigo técnico de revista de classe, assinado por um profissional de segurança.

O artigo apresenta antes uma técnica mais simples, de dois fatores, em que se multiplica probabilidade por severidade e se obtém um número de 1 a 81.
O HRN entra logo em seguida como alternativa, e o que ele acrescenta são exatamente os dois fatores que a matriz de dois eixos não tem.
Por que o método HRN é usado, se nenhuma norma o exige?
Aqui está a pergunta que motivou este artigo, e a resposta exige uma checagem que qualquer pessoa pode repetir.
A NR-12 exige a apreciação de riscos. Ela cita a expressão 12 vezes ao longo do texto e condiciona várias decisões técnicas ao que a apreciação indicar. O que ela não faz, em nenhum momento, é dizer como executá-la.
Quantas vezes cada termo aparece nos textos oficiais | ||
Termo procurado | Texto da NR-12 | Manual de Aplicação |
apreciação de riscos | 12 vezes | 30 vezes |
análise de risco | 10 vezes | não contabilizado |
HRN ou Hazard Rating Number | nenhuma | nenhuma |
FMEA, HAZOP ou William Fine | nenhuma | nenhuma |
ABNT NBR 14153 | 29 vezes | não contabilizado |
Busca literal no texto da NR-12 na consolidação de 2024, alterada pela Portaria MTE nº 224, de 26 de fevereiro de 2024, e no Manual de Aplicação da NR-12 publicado pelo Ministério do Trabalho. Consulta em agosto de 2026. | ||
Isso não torna o método HRN inadequado. Torna a escolha dele uma decisão de engenharia, e decisão de engenharia se justifica.
Vale dizer também que essa constatação não é nossa em primeira mão: ela já foi levantada por outros profissionais no Brasil, inclusive em artigo hospedado no portal de um conselho regional de engenharia, e nós a reconferimos no texto vigente antes de publicar.
Se a origem do costume não está na norma, ela está na prática. O método se espalhou porque é barato de aplicar, roda em campo com quatro escolhas por perigo, escala para centenas de máquinas e produz uma fila que o gestor consegue defender numa reunião de orçamento.
Em pouco tempo virou exigência de escopo em contratação, e hoje há empresas que desqualificam proposta que não o apresente.
A frase do autor que quase ninguém leu
Quando fomos ao artigo de 1990 para conferir as tabelas, encontramos uma instrução do próprio Steel que muda a forma correta de aplicar o método.

O texto diz, em tradução direta, que valores numéricos são atribuídos a frases descritivas, que tais tabelas de valores e frases são dadas abaixo, ainda que cada organização deva selecionar tabelas de valores e frases que atendam às suas próprias necessidades. E o parágrafo seguinte fecha: o exemplo que vem a seguir serve apenas para ilustrar o método.
A consequência prática é desconfortável e vale ser dita sem rodeio. Copiar uma tabela da internet e aplicá-la sem justificar a escolha não é aplicar o método pela metade: é pular justamente a etapa que o autor delegou a quem aplica.
Duas consultorias podem avaliar o mesmo perigo, na mesma máquina, com tabelas diferentes, e chegar a faixas de ação diferentes. As duas vão chamar o resultado de HRN.
Onde o método é frágil
Um artigo definicional que só elogia o método não ajuda quem precisa decidir. Estas são as limitações que consideramos relevantes, e a primeira é de natureza, não de uso.
O produto de quatro escalas ordinais não é uma grandeza física. Dizer que um perigo deu 48 e outro deu 24 não significa que o primeiro seja duas vezes pior: significa que ele vem antes na fila.
O número serve para ordenar, e tratá-lo como medida leva a comparações que ele não sustenta.
A segunda é de sensibilidade. Como os fatores se multiplicam, mudar um único degrau em um parâmetro pode empurrar o resultado para outra faixa de prazo. E o julgamento do analista entra quatro vezes na conta, não uma.
A terceira é de escopo, e é a crítica mais forte que o método recebe no Brasil. O HRN prioriza, e priorizar não é resolver. O documento que devolve ao cliente apenas uma fila de perigos coloridos entrega a parte que a equipe interna, que convive com a planta, muitas vezes já sabia. O que falta é a solução técnica, e essa não sai de nenhuma multiplicação.
O que torna a escolha do método defensável
Juntando as duas ausências, a da norma e a do autor, sobra uma conclusão que orienta a prática.
Na prática, um documento que se sustenta responde a quatro perguntas antes de mostrar qualquer número:
Qual escala foi adotada?
Por que aquela e não outra?
Qual cenário de acidente foi descrito antes de o valor ser escolhido?
Onde isso ficou registrado?
É trabalho a mais, e é ele que separa um número defensável de um número plausível.
É essa a razão de mantermos, aqui na Engetex, um dicionário classificatório único e travado para o método, com a escala fixada e o critério registrado, em vez de escolher a tabela caso a caso.
Não é preciosismo: é a única forma de dois analistas nossos chegarem ao mesmo resultado para o mesmo perigo, e de o cliente conseguir auditar o que recebeu.
Ainda tem dúvida sobre o método HRN?
As quatro perguntas abaixo são as que mais chegam quando o assunto aparece em auditoria ou em reunião de contrato, e todas têm resposta verificável.
O método HRN é obrigatório pela NR-12?
Não. A expressão não aparece no texto da NR-12 nem no Manual de Aplicação publicado pelo Ministério do Trabalho. A norma exige a apreciação de riscos e não nomeia método algum para executá-la. O que torna o HRN quase universal no Brasil é a prática de mercado e a exigência de escopo em contratação, não uma obrigação normativa.
Existe uma tabela oficial do HRN?
Não existe. O autor do método publicou tabelas como exemplo e escreveu que cada organização deve selecionar valores e frases que atendam às suas próprias necessidades. Por isso circulam escalas diferentes, e por isso a escala usada precisa estar declarada no documento.
O HRN substitui a apreciação de risco?
Não. Ele é uma etapa dentro dela, a da estimativa. A apreciação inclui determinar os limites da máquina, identificar perigos, estimar e avaliar o risco, e depois reduzir o risco pela hierarquia de medidas. O HRN atua num pedaço desse caminho.
Dois HRN diferentes para o mesmo perigo significam que alguém errou?
Não necessariamente. Se as duas avaliações usaram escalas diferentes, os números não são comparáveis, e nenhuma das duas está errada por isso. O problema aparece quando nenhuma das duas declara a escala que usou, porque aí não há como saber.
Método HRN: ferramenta de apoio, não regra absoluta
O HRN pode ser uma ferramenta útil para organizar e tornar mais objetiva a estimativa de riscos em máquinas e equipamentos. Mas sua aplicação precisa partir de uma premissa importante: o método não é uma exigência da NR-12 e seu resultado numérico, isoladamente, não representa toda a apreciação de riscos.
Mais importante do que chegar a determinado número é compreender os perigos existentes, documentar os critérios utilizados e definir medidas de redução de risco coerentes com cada situação.
Quando o HRN é utilizado, portanto, a escala adotada, os parâmetros considerados e a interpretação dos resultados precisam estar claros e tecnicamente fundamentados.
No fim, conformidade com a NR-12 não significa simplesmente “ter um HRN”. Significa demonstrar que os riscos foram identificados, avaliados e tratados de forma consistente, rastreável e adequada à realidade da máquina.



Comentários