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Saiba as diferenças entre válvula de segurança e alívio

Abra o fluxograma da unidade: PSV‑1201. Abra a folha de dados do mesmo TAG: válvula de segurança. Abra a ordem de serviço que a oficina emitiu: válvula de alívio. Abra o relatório que voltou da bancada: PRV. Quatro documentos, quatro nomes, e o mesmo pedaço de aço parafusado no bocal do vaso. A diferença entre válvula de segurança e válvula de alívio existe e é técnica, mas o nome guarda-chuva que a norma brasileira usa para todos eles é outro: a NR-13 chama a família inteira de dispositivos de segurança.


Este é um artigo de nomenclatura, e ele tem um objetivo prático: que você termine a leitura capaz de ler uma folha de dados e um relatório de calibração sem confundir dispositivos. Vale a pena porque a mistura não é inofensiva. O nome declara a função, e é a função que decide o critério do ensaio e o parâmetro de aceitação. Trocar o nome no papel troca o que a bancada mede.


Antes de qualquer coisa, um aviso que muda o tom do texto: o mercado não mistura esses nomes por descuido. Ele mistura porque os documentos de uma planta são escritos sob normas diferentes, e uma delas manda usar a mesma etiqueta para todos os casos. A confusão está no desenho, não no operador.


O que separa uma válvula de segurança e alívio é o jeito de abrir


A distinção clássica não é de tamanho, de material nem de fabricante. Ela é de comportamento de abertura, e a literatura técnica da linhagem norte americana, que é a que o mercado brasileiro importou, separa três casos.


Nome

Como abre

Serviço típico

Válvula de segurança

Abertura rápida e total. Passa de fechada a curso cheio praticamente de uma vez, com o estalo característico que dá nome ao comportamento.

Fluido compressível: vapor, ar e gases

Válvula de alívio

Abertura proporcional ao aumento da pressão acima da pressão de abertura. Abre na medida do excesso.

Líquido

Válvula de segurança e alívio

A combinada: construída para servir a qualquer uma das duas condições, conforme a aplicação.

Serviços mistos e multifásicos

Definições da linhagem API e ASME, lidas em literatura técnica de fabricantes que declaram conformidade com o API STD 520 Parte I. Não tivemos acesso ao texto da seção de definições da própria norma nesta rodada, e por isso não citamos subitem.


Existe uma peça dentro da válvula que responde por essa diferença. Nas de abertura rápida, há uma câmara anular logo depois da sede cuja função declarada é justamente gerar a característica de estalo: assim que o fluido escapa, ele encontra uma área maior para empurrar, e o disco salta. Isso funciona porque gás expande. Líquido não expande, e por isso a mesma construção, em serviço de líquido, abre devagar.


Se quiser uma imagem para levar da leitura, use a do painel elétrico. A válvula de segurança é o interruptor: fica desligada até o instante em que liga, e aí está ligada por inteiro. A válvula de alívio é o dimmer: a claridade acompanha o quanto você girou. Ninguém testaria um dimmer procurando o clique, e ninguém deveria testar uma válvula de alívio procurando o estalo.



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E a distinção não é universal: existe norma com um nome só


Aqui vem a parte que costuma surpreender quem trabalha com isso há anos, e é a razão pela qual esta peça foi escrita depois de ir conferir, e não de memória.



Leia devagar o que isso significa. A tríade de três nomes não é uma lei da física nem um consenso mundial das normas: ela é o vocabulário de uma linhagem, a norte americana do ASME e do API, que o mercado brasileiro adotou junto com os catálogos. A norma internacional cobre exatamente o mesmo hardware com um nome só e diz, com todas as letras, que é indiferente ao fluido.



Vale um cuidado de leitura antes de seguir. Estamos comparando normas de produto, que descrevem o dispositivo, e não normas de aplicação, que dizem onde e quando usá-lo. A escolha entre um comportamento e outro continua sendo do projeto, e é ela que aparece na folha de dados.


O que cada sigla designa de fato


Com o comportamento resolvido, dá para arrumar as siglas. A tabela abaixo separa o que tem origem em norma do que circula por hábito, porque essa separação é justamente o que costuma faltar quando alguém explica o assunto.


Sigla

Como se lê

O que designa de fato

Onde costuma aparecer

PSV

Pressure Safety Valve

É uma etiqueta de fluxograma, não uma classe de válvula. Na norma de identificação de instrumentos da ISA, a letra P é a variável pressão, o S é o modificador de segurança e o V é a válvula.

Fluxograma de processo, lista de instrumentos e plaqueta de campo

PSE

Pressure Safety Element

Elemento, não válvula. A mesma norma da ISA nomeia esta combinação, com todas as letras, como disco de ruptura: o dispositivo que alivia rompendo e não volta a fechar.

Fluxograma de processo, ao lado ou no lugar de uma PSV

PRV

Pressure Relief Valve

No API STD 520 Parte I é o nome do GÊNERO: a seção que reúne todas as espécies se chama assim. E é a sigla mais traiçoeira do conjunto, porque em tubulação e utilidades ela também é lida como válvula redutora de pressão, que é outro equipamento.

Folha de dados, catálogo e literatura técnica em inglês

PRD

Pressure Relief Device

O guarda-chuva mais largo, que cobre as válvulas e também o que não reassenta. O API STD 520 usa a expressão por extenso no próprio escopo; a abreviatura em três letras é de uso corrente e não a encontramos definida em fonte primária.

Textos normativos e documentos de projeto

SV, RV e SRV

Safety Valve, Relief Valve e Safety Relief Valve

As três funções nomeadas em inglês. As definições estão na literatura da linhagem norte americana, e as abreviaturas em si não têm definição normativa que tenhamos localizado. Contamos: numa varredura de vinte e quatro páginas brasileiras do setor, SRV não apareceu nenhuma vez. São siglas de documento em inglês, não da conversa daqui.

Documentação em inglês e material de matriz estrangeira

PSV e PSE saem da ANSI/ISA-5.1, edição de 2009, que é a que consultamos. PRV e a expressão dispositivo de alívio de pressão saem da estrutura do API STD 520 Parte I. As três últimas abreviaturas são de uso corrente e não as localizamos definidas em fonte primária, e isso está dito aqui de propósito.


Repare em duas linhas dessa tabela, porque elas desmontam duas crenças bem instaladas no mercado.


A primeira é a crença de que PSV é a de gás e PRV é a de líquido. Ela inverte a arquitetura da própria norma que criou o termo PRV: no API STD 520 Parte I, a seção que trata do assunto se chama Pressure-relief Valves e é a seção que contém todas as espécies, inclusive a convencional, a balanceada e a operada por piloto. Ali, PRV é o gênero, não a espécie de líquido.


A segunda é a crença de que a etiqueta PSV do fluxograma classifica a válvula. Não classifica, e essa é a informação mais útil deste artigo.



Ou seja: uma válvula de alívio de serviço de líquido, de abertura proporcional, aparece no fluxograma como PSV. Isso não é erro do projetista. É a norma de identificação mandando. O critério dela para usar a etiqueta é o papel de proteção de emergência, não o tipo construtivo.



Ainda sobre siglas, uma armadilha que causa prejuízo real de compra: PRV também é lido como válvula redutora de pressão em tubulação e em sistemas de utilidades. São dois equipamentos completamente diferentes, com a mesma abreviatura de três letras, e portais técnicos de tubulação alertam sobre isso de forma explícita. Ao receber uma requisição que diz apenas PRV, sem folha de dados junto, a pergunta certa é se o que se quer é aliviar ou reduzir.


Falta uma pergunta que quase nunca se faz sobre nomenclatura: e o mercado brasileiro, o que ele escreve de fato? Fomos contar, porque achamos que essa resposta não deveria sair de impressão pessoal.



Duas consequências práticas saem dessa contagem. A primeira é para quem escreve documento: o nome que o seu leitor brasileiro reconhece é válvula de segurança, com PSV como sinônimo, e é assim que vale escrever a ordem de serviço. A segunda é para quem lê: quando um documento chega falando em alívio de pressão a toda hora, é bem provável que ele seja tradução de matriz estrangeira, e vale conferir se o nome funcional foi traduzido junto com o resto.


Por que a mesma peça troca de nome do fluxograma para a ordem de serviço


Agora dá para montar a cena inteira. O dispositivo é um só; o que muda é quem está escrevendo e sob qual norma. Três documentos convivem no ciclo de vida de uma única válvula, e cada um deles fala uma língua legítima.


Documento

Quem escreve

Vocabulário que usa

O que conferir ali

Fluxograma de processo

Projeto de processo

A etiqueta de instrumentação e o TAG: PSV‑1201, PSE‑1201

Se o que está no campo é mesmo uma válvula, e não um disco de ruptura ou os dois em série. A letra do meio da etiqueta responde isso antes de qualquer visita.

Folha de dados

Projeto mecânico e fabricante

O nome funcional: válvula de segurança, de alívio, ou de segurança e alívio

O fluido de serviço declarado, a pressão de abertura, a contrapressão prevista e o tipo de castelo. É aqui que a função fica escrita, e é daqui que o ensaio deveria sair.

Ordem de serviço e relatório de bancada

Manutenção e oficina

O nome do dia a dia, quase sempre herdado de quem abriu o chamado

Se o fluido de ensaio e o critério de aceitação correspondem à função que a folha de dados declara. Quando não correspondem, o relatório mede outra coisa.

Três documentos, três vocabulários, um dispositivo. Nenhum deles está errado: cada um fala a língua da norma sob a qual foi escrito.


Esse encadeamento é leitura nossa, e faz sentido declarar isso: não encontramos fonte pública que descreva o ciclo completo dos três documentos com três nomes. O que existe são as três pontas, cada uma verificável por conta própria, e a costura entre elas é raciocínio de quem trabalha com os três papéis na mesa. Quem quiser discordar tem por onde: as pontas estão citadas.


A consequência prática é que procurar culpado é perda de tempo. O projetista de processo não errou ao escrever PSV, o projetista mecânico não errou ao escrever válvula de alívio na folha de dados, e o planejador não errou ao repetir o nome que veio no chamado. O que precisa existir é um ponto do processo em que alguém confere se os três documentos estão falando do mesmo dispositivo, e é quase sempre esse ponto que não existe.


Se você quiser ver o outro lado dessa moeda, que é o que acontece quando a documentação está impecável e ainda assim ninguém consegue afirmar a condição do dispositivo, escrevemos sobre isso em você tem prova de que a válvula de alívio de pressão vai abrir?.



O que a NR-13 chama de válvula de segurança


Falta a ponta que obriga, que no Brasil é a norma regulamentadora. E ela tem uma posição própria sobre o assunto, que não é a de nenhuma das duas linhagens anteriores.


Lendo o texto vigente por inteiro, na redação dada pela Portaria MTP nº 1.846, de 1º de julho de 2022, com as retificações de outubro do mesmo ano, o quadro é este: a NR-13 trabalha com válvula de segurança no corpo normativo e usa dispositivos de segurança como o nome do gênero. A expressão válvulas de alívio aparece uma única vez na norma inteira, e aparece no glossário, dentro de uma lista de exemplos.



Repare no que a lista faz e no que ela não faz. Ela enumera os nomes, lado a lado com o disco de ruptura e o quebra-vácuo, e não define nenhum deles nem estabelece critério de escolha por fluido. A norma que obriga o serviço não diferencia funcionalmente uma coisa da outra.



Vale dizer também o que a norma exige sobre o dispositivo, porque é o que liga esta discussão ao trabalho de oficina: as válvulas de segurança de caldeiras e de vasos de pressão devem ser desmontadas, inspecionadas e testadas, e o número do certificado de inspeção e teste da válvula é item obrigatório do relatório de inspeção do equipamento. Existe, portanto, um documento que atesta o ensaio. E é exatamente aí que o nome volta a importar. Se o assunto NR-13 for novo para você, comece por para que serve a NR-13.


Onde a mistura custa caro: o nome muda o critério de ensaio


Chegamos ao ponto que dá utilidade a tudo o que veio antes. Um dispositivo de alívio é ensaiado conforme a sua função, e a função é declarada no papel. Quando o papel declara errado, a bancada não erra por pouco: ela mede outra coisa.


Válvula de alívio de pressão montada em bancada de ensaio com mangueiras flexíveis e manômetro
A válvula montada na bancada com o fluido de ensaio conectado. Ilustração gerada por IA para representar um ensaio de bancada; não retrata equipamento ou instalação real.

O caso mais bonito, e o menos conhecido, é o do próprio evento de abertura. A literatura técnica da linhagem norte americana define a pressão de abertura de formas diferentes conforme o serviço: em serviço de líquido, é a pressão em que sai o primeiro jato contínuo pela descarga; em serviço de vapor, ar ou gás, é a pressão em que a válvula estala, e explicitamente não é o ponto do primeiro escape audível de aviso.



Há um agravante conhecido no mesmo terreno. Abaixo da pressão de abertura, toda válvula apresenta algum escape entre a sede e o disco, sem capacidade de descarga mensurável. Numa válvula de serviço de líquido pressurizada com ar, esse escape é audível, e é exatamente o tipo de evento que se registra como se fosse abertura. O ensaio termina com um número plausível e errado, o que é bem pior do que terminar sem número nenhum.


O que a função declarada decide

Por quê

O que conta como abertura

Este é o ponto que quase ninguém confere. A literatura técnica da linhagem norte americana define o evento de abertura de formas diferentes: em serviço de líquido, é o primeiro jato contínuo que sai pela descarga; em serviço de vapor, ar ou gás, é o estalo da abertura rápida. Não existe um ensaio de abertura neutro ao fluido.

O escape que antecede a abertura

Abaixo da pressão de abertura, toda válvula apresenta algum escape entre a sede e o disco, sem capacidade de descarga mensurável. Numa válvula de serviço de líquido pressurizada com ar, esse escape é audível e é exatamente o tipo de evento que o técnico anota como se fosse abertura.

O curso a atingir, e em que pressão

Num dispositivo de abertura rápida, o curso cheio chega praticamente junto com a abertura. Num de abertura proporcional, o curso cheio só aparece com o excesso de pressão previsto. Cobrar de um o comportamento do outro reprova peça boa e aprova peça ruim.

O diferencial de reassentamento

Faz sentido em quem abre de forma rápida e total, porque é esse dispositivo que reassenta abaixo da pressão de abertura, e é por isso que ele precisa descarregar uma quantidade de gás até a pressão cair. É o parâmetro mais ligado ao mundo compressível de toda a lista.

A unidade do critério de estanqueidade

A norma de ensaio de estanqueidade de sede declara a aceitação em unidades diferentes conforme o fluido: bolhas por minuto no ensaio com ar, volume por hora no ensaio com líquido, e ausência de vazamento audível ou visível no ensaio com vapor. Não são unidades conversíveis entre si.

A sobrepressão admitida

É o excesso acima da pressão de abertura dentro do qual o dispositivo precisa entregar a capacidade de descarga. Depende do código de construção do equipamento e de o dispositivo ter ou não certificação de capacidade, e não do nome escrito na ordem de serviço.

Nenhum número aparece nesta tabela de propósito. Os valores dependem do código de construção do equipamento, da norma de ensaio adotada e do serviço, e mudam de edição para edição. O que a tabela mostra é o mecanismo, que é o que não muda.


Perceba a natureza do problema: nada disso se resolve com mais cuidado do técnico de bancada. Ele executa contra o critério que recebeu. O que decide o critério é o documento, e o documento é decidido lá atrás, quando alguém escreve o nome do dispositivo. Sobre a distância entre o documento assinado e a condição real do equipamento, tratamos em o que o certificado de calibração garante de fato.



Como ler uma folha de dados sem confundir os dispositivos?


Confira quatro campos, nesta ordem: o fluido de serviço, porque ele determina se a abertura esperada é rápida ou proporcional; o nome funcional, que deve concordar com esse fluido; a pressão de abertura contra a pressão máxima admissível do equipamento; e a contrapressão prevista, que define o tipo de castelo. Se os dois primeiros campos se contradisserem, pare e resolva antes de emitir a ordem de serviço.


Os quatro campos acima resolvem a leitura da folha. Falta o cruzamento com os outros dois documentos, que é onde a mistura de nomes aparece de verdade. A lista abaixo é a versão curta do que se confere, e ela cabe numa reunião de meia hora.


Onde olhar

A pergunta que resolve

Fluxograma de processo

A letra do meio da etiqueta diz se o ponto é válvula ou elemento. Se for elemento, espere um disco de ruptura, e não uma válvula, no campo.

Folha de dados

O fluido de serviço e o nome funcional concordam entre si? É este documento, e não o fluxograma, que classifica o dispositivo.

Relatório de bancada

O fluido de ensaio e a unidade do critério de aceitação correspondem à função da folha de dados? Unidade trocada é sinal de critério trocado.

Plaqueta no campo

O que está instalado corresponde ao que os três documentos descrevem? É a checagem mais barata e a que menos se faz.

Quatro conferências que não exigem nenhuma ferramenta, só os documentos abertos ao mesmo tempo.


E vale a honestidade sobre o limite disto tudo: conferir nome não substitui inspecionar dispositivo. A concordância entre os documentos garante que o ensaio medirá a coisa certa. Ela não diz nada sobre a condição da mola, da sede ou do bocal, que é assunto de outra ordem e depende de desmontagem.


Você ainda tem dúvida sobre os nomes desses dispositivos?


Quatro perguntas que aparecem toda vez que este assunto entra numa reunião de manutenção ou de projeto.


Qual a diferença entre válvula de segurança e válvula de alívio?

A diferença é o comportamento de abertura. A válvula de segurança abre de forma rápida e total, com o estalo característico, e é típica de fluido compressível como vapor, ar e gases. A válvula de alívio abre de forma proporcional ao aumento da pressão acima da pressão de abertura, e é típica de líquido. Existe ainda a de segurança e alívio, construída para atender às duas condições.

Não exatamente, e nenhuma das duas é o que o mercado costuma supor. PSV é uma etiqueta de fluxograma, e a norma de identificação de instrumentos determina que ela se aplique independentemente da categoria construtiva da válvula. PRV, no API STD 520 Parte I, é o nome do gênero que reúne todas as espécies. E cuidado: em tubulação, PRV também é lida como válvula redutora de pressão, que é outro equipamento.

PSE combina a variável pressão, o modificador de segurança e a letra de elemento ou sensor. A norma de identificação de instrumentos que consultamos, na edição de 2009, nomeia essa combinação com todas as letras como disco de ruptura. Se o fluxograma traz PSE, espere no campo um dispositivo que alivia rompendo e que não volta a fechar.

A NR-13 usa válvula de segurança no corpo normativo e dispositivos de segurança como termo do gênero. Ela lista válvulas de alívio e válvulas de segurança e alívio uma única vez, no glossário, como exemplos, sem definir nenhuma delas e sem estabelecer critério de escolha por fluido. As siglas PSV e PRV não aparecem no texto.


O nome precisa levar ao ensaio certo


A diferença entre válvula de segurança e válvula de alívio não existe para complicar a documentação. Ela existe porque os dois dispositivos respondem de formas diferentes à pressão, e essa diferença muda o que deve ser observado quando eles são especificados, instalados e testados.


O problema começa quando cada documento usa uma linguagem diferente e ninguém faz a conferência entre eles. O TAG pode dizer PSV, a folha de dados pode classificar a função corretamente e a ordem de serviço pode simplificar tudo para “válvula de alívio”. Isoladamente, nenhuma dessas escolhas precisa estar errada. O risco aparece quando essa tradução muda também o fluido de ensaio, o evento considerado como abertura ou o critério usado para aprovar o dispositivo.


Por isso, mais importante do que padronizar todas as siglas é garantir que fluxograma, folha de dados, plaqueta e relatório de bancada estejam descrevendo o mesmo comportamento.


Quando essa ligação existe, o nome deixa de ser ruído e passa a cumprir sua função: levar quem projeta, mantém e ensaia até o critério técnico correto.


No fim, a pergunta não é apenas como o dispositivo é chamado. É se o nome usado no documento permite que a próxima pessoa saiba exatamente o que aquela válvula deve fazer quando a pressão subir.


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