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Por que drop test de proteção de máquina existe?

Um parafuso do acoplamento de uma motobomba se solta com o conjunto girando. Ele sai pela tangente e encontra a proteção que está ali justamente para isso. A pergunta é simples e quase nunca tem resposta escrita: a chapa segura?


O ensaio que responde a essa pergunta se chama drop test, e o nome tem uma razão física que vale conhecer, porque ela já dá a dimensão do problema.


O que é um drop test de proteção de máquina?


Convém separar o termo do uso mais popular dele, porque a expressão viaja entre áreas muito diferentes e isso confunde.



O nome vem da equivalência entre energia de impacto e energia de queda. Toda colisão pode ser traduzida na altura de que aquele mesmo corpo teria de cair para chegar com a mesma energia, e é essa tradução que dá a medida do problema para quem olha a proteção de fora.


Por que ele é necessário?


A resposta fica evidente quando se colocam os números do cenário lado a lado. Estes são os de um caso real que conduzimos, em uma motobomba de alimentação de caldeiras.


O cenário do caso, com os dados que o definem

Grandeza

Valor

De onde vem

Rotação nominal do acionamento

3.585 rpm

dado de placa do motor

Distância do furo do parafuso ao eixo

105 mm

medição de campo

Velocidade do projétil na saída

39,42 m/s

cerca de 142 km/h

Massa do parafuso

0,27 kg

parafuso do acoplamento

Espessura da região crítica da proteção

2,7 mm

a chapa lateral, o ponto mais fraco

Material da proteção

Aço ASTM A36

escoamento 250 MPa, ruptura 480 MPa

Todos os valores são de placa do equipamento ou de medição em campo. A velocidade sai da rotação e do raio, por relação direta.


A velocidade não é estimada: ela sai da rotação nominal e do raio em que o parafuso está. A 3.585 rotações por minuto, um parafuso a 105 milímetros do eixo deixa o acoplamento a 39,42 metros por segundo, ou perto de 142 quilômetros por hora.



Colocada assim, a pergunta muda de natureza. Ninguém olha para uma chapa de menos de três milímetros e responde de cabeça se ela detém um objeto que chega como se tivesse caído de um prédio de 26 andares. E é justamente por isso que a resposta precisa ser demonstrada.


Qual norma exige


A exigência é da NR-12, e ela aparece em dois pontos que se completam.


O subitem 12.5.10 estabelece que as máquinas e equipamentos que ofereçam risco de ruptura de suas partes, projeção de materiais, partículas ou substâncias devem possuir proteções que garantam a segurança e a saúde dos trabalhadores. É o gatilho: onde existe risco de projeção, a proteção é obrigatória.


O subitem 12.5.11 diz como ela precisa ser. A alínea "b" exige que a proteção seja constituída de materiais resistentes e adequados à contenção de projeção de peças, materiais e partículas. A alínea "c" exige resistência mecânica compatível com os esforços requeridos.



Vale registrar o que a norma também não faz: ela não nomeia norma técnica de verificação para essa contenção. A expressão que a maioria dos materiais cita nesse contexto, a ABNT NBR ISO 14120, não aparece nenhuma vez no texto da NR-12. É a mesma estrutura que já encontramos em outros temas: a norma exige o resultado e deixa o caminho em aberto.


Onde ele se aplica


O gatilho do subitem 12.5.10 é amplo de propósito, e alcança mais equipamentos do que costuma parecer. O que todos têm em comum é massa girando com energia suficiente para virar projétil.


Acoplamentos e volantes


Parafusos, chavetas e contrapesos em rotação. É o caso deste artigo, e o mais comum em conjunto motor e bomba.


Rebolos e esmeris


O rebolo que se rompe em operação projeta fragmentos em todas as direções, e a proteção é a única barreira.


Ventiladores e exaustores


Pás e contrapesos de balanceamento, com raio grande e, portanto, velocidade tangencial alta.


Correias, polias e transmissões


Ruptura de correia e projeção de elementos de fixação.


Centrífugas e separadores


Massa girando a alta rotação. A energia de um eventual projétil cresce com o quadrado da velocidade, e por isso a rotação pesa mais que a massa.


Máquinas com ferramenta rotativa


Ruptura de inserto, pastilha ou disco de corte durante o trabalho.


Repare que a lista não distingue máquina nova de máquina antiga, nem nacional de importada. O que define a necessidade é o risco de projeção, e ele é uma propriedade física do equipamento em operação.


O caso: um parafuso contra uma chapa de 2,7 milímetros


Voltando ao caso que abriu este artigo, vale mostrar como o problema se organiza antes de qualquer conta.


Representação tridimensional da proteção de acoplamento com o parafuso posicionado como projétil contra a chapa lateral
A proteção do acoplamento e o corpo de prova posicionado contra a região crítica. O primeiro trabalho não é calcular: é descobrir onde a proteção é mais fraca, porque é ali que a verificação precisa acontecer.

A proteção tem topo curvo e laterais planas, e não é uniforme: a região de menor resistência é a chapa lateral, com 2,7 milímetros. O corpo de prova é direcionado contra ela, porque verificar a proteção pelo ponto mais forte não responde a pergunta que interessa.


A análise é estrutural transiente, ou seja, os resultados variam ao longo do tempo do impacto, e o que vale é o instante de pico. E o critério de aprovação não é estético nem de deformação aceitável: é se o corpo de prova atravessa ou não o anteparo.



Por que não simplesmente testar de verdade


É a pergunta mais razoável que se pode fazer diante de uma simulação, e ela merece resposta direta.


O ensaio físico existe e tem valor, principalmente para proteções de série, em que um modelo representa milhares de unidades. O problema aparece no parque em operação, onde cada proteção foi fabricada sob medida, em espessura e geometria próprias, para uma máquina específica.


Ensaiar fisicamente cada uma exigiria destruir a proteção que está protegendo, reproduzir em bancada um projétil a 142 quilômetros por hora e repetir isso dezenas de vezes num parque de porte médio. A análise estrutural responde à mesma pergunta sem tirar a proteção da máquina, e é auditável porque o modelo, os dados de entrada e o critério ficam registrados.


Vale a ressalva honesta: simulação é modelo, e modelo tem premissas. Ela responde com a qualidade dos dados de entrada, e por isso o levantamento em campo, que determina espessura, geometria e o que de fato pode se soltar, pesa tanto quanto a análise em si.


Escaneamento tridimensional capturando a geometria de uma máquina industrial
A proteção parece resistente. A pergunta que a norma faz é outra: ela resiste a quê?

Ainda tem dúvida sobre o drop test de proteção?


Estas quatro perguntas são as que mais aparecem quando o assunto entra na pauta de adequação, e todas têm resposta objetiva.


A NR-12 obriga a fazer drop test?

A norma não nomeia o ensaio. Ela obriga, no subitem 12.5.10, a existência de proteção onde houver risco de projeção, e exige, no 12.5.11, que a proteção seja de material adequado à contenção e tenha resistência compatível com os esforços requeridos. O drop test é o caminho técnico para demonstrar esse atendimento, e não uma exigência com nome próprio na norma.

Aumentar espessura sem saber o esforço requerido é chutar para cima, e tem custo em peso, em fixação e às vezes em acesso para manutenção. Além disso, a região crítica nem sempre é a chapa: pode ser a fixação, a solda ou um recorte. Sem verificação, o reforço pode cair no lugar errado.

Vale, e é justamente onde mais aparece. A obrigação do subitem 12.5.10 decorre do risco de projeção, que existe independentemente da idade do equipamento ou da existência de documentação de origem. Nesses casos, os dados de entrada saem de levantamento em campo.

São perguntas diferentes. Distância de segurança trata de alcance: se a pessoa consegue chegar à zona de perigo através da abertura. O drop test trata de contenção: se a proteção segura o que vem de dentro. Uma proteção pode atender à distância e não conter a projeção, e o contrário também acontece.


Drop test: da exigência à comprovação


O drop test transforma uma dúvida visual em uma resposta técnica: a proteção instalada é capaz de conter uma peça projetada durante a operação?


Mais do que atender à NR-12, a análise permite demonstrar que a resistência da proteção é compatível com o risco real da máquina.


Na Engetex, essa verificação considera as condições reais do equipamento para avaliar, com evidência técnica, se a proteção cumpre sua função de contenção.



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