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Qual a espessura mínima do assentador de talão de pneus?

O assentador de talão de pneus passa boa parte da vida encostado no canto da borracharia. Enche, recebe o pneu, libera uma descarga de ar em segundos e volta para o lugar.


Na rotina de uma oficina agrícola, parece só mais uma ferramenta ao lado do macaco, da chave de roda e do calibrador.


Só que existe um reservatório de ar comprimido por trás dessa operação. E, quando pressão e volume entram na conta, aquilo que parecia apenas uma ferramenta passa a exigir outra leitura: o assentador de talão pode estar dentro do campo de aplicação da NR-13.


O detalhe mais interessante, porém, está na parede desse reservatório. Em um equipamento sujeito a ciclos constantes, condensado interno, barro, lavagem e transporte, poucos milímetros separam a espessura prevista pelo código de uma parede que já começou a perder margem.


E é aí que este artigo começa: o que acontece quando um vaso pequeno, portátil e quase esquecido trabalha justamente em um dos ambientes mais favoráveis à corrosão?


Continue a leitura e descubra a resposta para essa questão. Mas, antes, entenda melhor o que é um assentador de talão de pneus.


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O que é um assentador de talão de pneus?


O assentador de talão de pneus é um equipamento que armazena ar comprimido e o libera rapidamente entre o pneu e o aro. Esse jato de alta vazão empurra os talões do pneu contra as bordas do aro, permitindo que a vedação se forme e que o pneu possa ser inflado normalmente.


Ele é usado principalmente quando o pneu desmontado não encosta suficientemente no aro para que a inflação convencional consiga criar a vedação inicial.


É um equipamento comum em borracharias, oficinas e operações de manutenção de máquinas e veículos agrícolas.


Apesar de ser tratado no dia a dia como uma ferramenta de borracharia, seu funcionamento depende de um reservatório que armazena ar sob pressão. É justamente essa característica que faz com que o equipamento precise ser analisado também como vaso de pressão, considerando pressão, volume, características construtivas e seu enquadramento na NR-13.


Assentador de talão azul, com reservatório cilíndrico horizontal sobre pés soldados e tubo de descarga vertical, em borracharia de fazenda, com a placa de identificação em branco e um pneu de trator ao lado
Repare na placa de identificação: ela está em branco. E isto é um vaso de pressão.

Assentador de talão e reservatório de compressor comum são iguais?


Antes de discutir espessura vale colocar as partes na mesa, porque boa parte do problema começa por tratar o conjunto como uma ferramenta e não como um sistema pressurizado.


Vistas as partes, cinco características separam esse equipamento de um reservatório de compressor comum, e todas elas jogam contra a parede. Saiba quais são elas a seguir.


1. A ciclagem completa é o serviço, não a exceção


Um reservatório de compressor trabalha numa faixa de pressão. Este enche e esvazia por inteiro, várias vezes ao dia, porque é para isso que ele existe.


2. A descarga violenta é o produto


A liberação súbita não é um evento anormal a ser evitado: é a função.


3. Ele é portátil


Cai, tomba, apoia no piso molhado, encosta em pilha de pneu, viaja na carroceria. Nada disso vira registro.


4. O ambiente é o pior possível


Barro, lavagem, adubo, poeira, e o próprio ar do compressor levando condensado para dentro.


5. Ninguém o inventaria


Ele não entra na lista de vasos porque, no imaginário da planta, não parece um.



Ele é vaso de pressão? A conta leva 30 segundos


Vamos usar números típicos de catálogo, declarados como exemplo e não como medição de nenhum equipamento real: 40 litros a 10 bar.


O critério de campo de aplicação da NR-13 usa o produto da pressão máxima de operação pelo volume, com P em quilopascal e V em metro cúbico. Dez bar são 1.000 kPa, e 40 litros são 0,04 m³.



Vale dizer que esse critério não pergunta como o equipamento foi comprado, nem em que prateleira ele é guardado. Ele olha pressão e volume, e só. Se a lógica por trás disso ainda não estiver clara, comece por para que a NR-13 serve, afinal.


A categoria vem em seguida. Ar comprimido é fluido de classe C, e o grupo de potencial de risco usa o mesmo produto com P em megapascal, o que dá 0,04 e cai no grupo 5. Classe C com grupo 5 leva à categoria V. Guarde esse número: ele volta no fim do artigo, e não da forma que se espera. O panorama do parente estacionário desse equipamento está em o que a NR-13 pede de um reservatório de ar.


O que a UG-16 diz sobre espessura mínima


Agora o código de construção. O parágrafo UG-16 da Seção VIII Divisão 1 do código ASME trata dos requisitos gerais de projeto, e a alínea (b) fixa a espessura mínima de costados e tampos. Ela não fixa um valor só.


As espessuras mínimas do UG-16, e o que cada um alcança

Serviço

Espessura mínima

O que a regra alcança

Regra geral

1,5 mm


1/16 in

qualquer costado ou tampo, depois de conformado, independente da forma do produto e do material

Ar comprimido, vapor e água

2,5 mm


3/32 in

costados e tampos em serviço de ar comprimido, vapor ou água, em materiais da Tabela UCS-23

Caldeira de vapor não aquecida

6 mm


1/4 in

para dar escala: é o valor mais alto da lista, e mostra que o valor acompanha o serviço

ASME BPVC Seção VIII Divisão 1, edição de 2017, parágrafo UG-16(b). Os três valores são declarados na norma como exclusivos de qualquer sobre-espessura de corrosão.



As quatro palavras que mudam tudo


Nas três linhas da tabela acima, o código repete a mesma expressão ao lado do valor: exclusive of any corrosion allowance. Em português, exclusivo de qualquer sobre-espessura de corrosão.


Não é redundância de redação. É a regra que define para que serve o número, e é ela que separa dois conceitos que costumam ser tratados como sinônimos.


A espessura mínima é o valor abaixo do qual o código não admite a parede, em nenhuma circunstância. A espessura de projeto é a que o equipamento precisa ter para cumprir a função dele durante a vida prevista. As duas só coincidem num caso: quando se decidiu não ter sobre-espessura de corrosão nenhuma.



Daí sai a frase que resume o artigo inteiro, e ela é aritmética, não retórica: espessura de projeto igual à espessura mínima significa sobre-espessura de corrosão igual a zero. O equipamento entra em serviço já no limite do código, e qualquer perda de espessura, por menor que seja, começa abaixo dele.


E ainda existe a tolerância da chapa


Há uma terceira camada, na alínea (c) do mesmo parágrafo, e ela costuma surpreender até quem já conhece a espessura mínima.


O código diz que a chapa não pode ser comprada com espessura nominal menor que a de projeto, e que chapa com espessura real menor que a de projeto só pode ser usada se a diferença for menor que o menor valor entre 0,3 mm e 6% da espessura de projeto. E se a especificação de compra permitir tolerância maior que isso, a espessura encomendada precisa ser aumentada para compensar.



Por que o agro é o pior lugar para uma parede sem margem


Até aqui o argumento vale para qualquer vaso de ar comprimido. O que torna o caso agrícola particular é onde o dano acontece.


Interior de reservatório de ar comprimido cortado, mostrando corrosão alveolar no fundo e uma poça de condensado oleoso
O lado que ninguém vê: a superfície interna do fundo, com alvéolos de corrosão e a poça de condensado que os alimenta.

O ar comprimido carrega água. Ele entra quente e úmido, esfria dentro do vaso e deixa condensado no ponto baixo. Num equipamento que enche e esvazia o dia inteiro, essa renovação é constante, e o que se acumula no fundo é água com resíduo de óleo do compressor.


O resultado é que o mecanismo de dano é interno e fica no fundo, que é o lugar que ninguém olha e que a pintura externa não denuncia. Some a isso o ambiente de fora, com lavagem, barro e guarda ao relento, e a corrosão ataca dos dois lados de uma parede que já pode ter nascido sem margem.


Esse mecanismo não é exclusivo do assentador, e já mostramos ele acontecendo: na peça sobre corrosão interna em vasos de pressão, um risco oculto e recorrente há dois vídeos de acúmulo de líquido dentro de vasos. Vale ver antes de continuar: é o mesmo fenômeno, numa escala em que dá para enxergar.



A inversão: a menor parede recebe o maior intervalo


Lembra da categoria V calculada lá atrás? Ela define o prazo de inspeção. Para categoria V sem serviço próprio de inspeção, o exame externo vai a cada 5 anos e o interno a cada 10.



Dez anos entre exames internos, num equipamento cuja corrosão é interna, é a combinação que fecha o problema. E é por isso que este artigo insiste na espessura de projeto: quando o intervalo é longo, a margem inicial deixa de ser um detalhe de engenharia e vira a única proteção real. Os prazos, com suas famílias e exceções, estão em como a NR-13 conta os prazos.


Seguir código de construção não é formalidade, e dá para medir


Chegamos ao ponto que motivou este artigo. Por que insistir tanto que o equipamento tenha um código de construção declarado?


A primeira resposta é a placa. A NR-13 exige, no subitem 13.5.1.3, placa indelével com fabricante, número, ano de fabricação, PMTA e código de construção com o ano da edição. Sem código, a placa não fecha, e sem PMTA declarada não há como ajustar dispositivo de segurança nenhum.


A segunda resposta é mais dura, e tem número.


O que o código de construção vale, em anos

Situação do equipamento

Exame externo

Exame interno

De onde sai

Com código de construção, categoria V

5 anos

10 anos

prazos da Tabela 2 para a categoria em que o equipamento costuma cair

Sem código de construção

1 ano

3 anos

subitem 13.5.1.6.1, para o parque instalado antes de 18/12/2018 e sem memória reconstituível



Uma observação de leitura, e a declaramos como nossa: o 13.5.1.6.1 abre essa rota para o parque instalado antes de 18 de dezembro de 2018. Para o que entrou depois sem código, a norma não oferece esse caminho, e o que isso implica em cada caso é decisão de profissional legalmente habilitado, assunto

que tratamos em quem assina o que na NR-13.



Ainda tem dúvida sobre a espessura mínima e o assentador?


Quatro perguntas que aparecem sempre que esse assunto entra em reunião de manutenção ou de compras.


A espessura mínima do código é 1,5 mm ou 2,5 mm?

Depende do serviço. A regra geral do parágrafo UG-16(b) é 1,5 mm para costados e tampos, mas a alínea (b)(4) fixa 2,5 mm para serviço de ar comprimido, vapor e água, em materiais da Tabela UCS-23. Assentador de talão é ar comprimido, então a espessura mínima aplicável é o de 2,5 mm.

O código não proíbe, mas o número tem um significado que costuma ser lido ao contrário. Os três valores são declarados como exclusivos de qualquer sobre-espessura de corrosão, e as fórmulas de projeto do código trabalham com a dimensão já corroída. A espessura mínima precisa sobrar no fim da vida, não o que se compra no começo.

A NR-13 trata dessa situação no subitem 13.5.1.6.1: para o parque instalado antes de 18 de dezembro de 2018 e sem memória de cálculo reconstituível por códigos reconhecidos, a PMTA é atribuída por profissional legalmente habilitado a partir dos dados operacionais, e os prazos passam a ser de um ano para o exame externo e três anos para o interno. O 13.5.1.6.2 ainda exige plano de ação para inspeção extraordinária especial.

A categoria mede o potencial de energia, pelo produto P.V e pela classe do fluido, e não a margem de espessura que sobrou na parede. Um reservatório pequeno com parede no mínima e um vaso de porte com parede folgada podem cair na mesma categoria V. Por isso o prazo longo e a parede fina são um problema quando aparecem juntos.



O problema não está no tamanho do vaso


O assentador de talão pode ser pequeno, portátil e passar a maior parte do tempo encostado no canto da borracharia. Nada disso muda o que acontece dentro dele: ar comprimido é armazenado, a parede está sujeita à corrosão e cada ciclo volta a exigir do equipamento aquilo para o qual ele foi projetado.


É por isso que aqueles poucos milímetros importam tanto. Espessura mínima de código não é sinônimo de margem disponível para corrosão, e categoria V não significa que o equipamento possa simplesmente passar despercebido por anos.


Antes de olhar apenas para a pressão indicada no manômetro, vale olhar para o equipamento inteiro: placa, código de construção, PMTA, espessura disponível, condição da parede e histórico de inspeção.


Na Engetex, a inspeção de vasos de pressão considera justamente esse conjunto de informações para avaliar a condição real do equipamento e seu atendimento à NR-13. Porque, no fim, o vaso mais fácil de esquecer pode ser justamente aquele que ninguém incluiu no inventário.


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